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terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

A Refinaria Que Virou Poeira

A Refinaria Que Virou Poeira
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a governadora Roseana Sarney lançam, nesta sexta-feira (15), às 10h, no município de Bacabeira (Fazenda Cristalândia,BR 402, Km 2, sentido Bacabeira/Rosário).

Até parece que foi ontem! Mais já se passaram (04) QUATRO ANOS. Lembro muito bem daquela data, afinal não é todo dia que conseguimos ver tantas figuras importantes num só lugar, principalmente numa cidadezinha do Maranhão. Estava nas manchetes de todos meios de comunicação: 

Lula e Roseana lançam, hoje, a pedra fundamental da Refinaria

Quatro anos! A senhora Dilma ainda era Ministra da Casa Civil. 


Com investimento de R$ 20 bilhões, a Refinaria, que será a maior da América Latina, vai gerar cerca de 132 mil empregos diretos e indiretos e refinar 600.000 barris/dia, o equivalente a 1/3 da produção nacional de petróleo.

Lembro muito bem desse porque eu estava lá. Não apenas como vendedor, na espectativa de encontrar ali a tão sonhada oportunidade de vender várias máquinas e equipamentos mas, como cidadão entre milhares que presenciaram aquele evento, certo que finalmente alguém olhara para o nosso Estado.


Lembro de ter acordado cedo. De ter enchido os bolsos de cartões de visita. Sai motivado e determinado como todo vendedor. 
Sai cheio de orgulho e certo de que ao chegar não iria encontrar apenas um teatro eleitoral e sim uma proposta concreta e verdadeira.


Ao chegar o cenário era de filme. Tudo grandeoso. Milhares e milhares de pessoas chegando de todo lugar. Cidadãos comuns, empresários, empreendedores e muitos vendedores que tiveram a mesma idéia que eu.

Os números eram grandiosos:

Com investimento de R$ 20 bilhões, a Refinaria, que será a maior da América Latina, vai gerar cerca de 132 mil empregos diretos e indiretos e refinar 600.000 barris/dia, o equivalente a 1/3 da produção nacional de petróleo.


Um dia após esse evento meu gerente com base nas informações que levantei e o que estava escancarado para todos verem, triplicou a minha meta de vendas. Isso foi há exatos QUATRO ANOS. 
De lá para cá a cidade de Bacabeira passou a ser a minha principal parara. Acompanhei passo a passo todo o processo de construção inicial. Parecia uma corrida do ouro. A especulação imobiliário rapidamente tomou conta do lugar. Propriedades que valiam 10 mil passaram para 100 mil e por aí vai. Hotéis, pousadas e restaurantes foram rapidamente construidos. Pela manha, parecia um formigueiro de operários vestidos de macacões amarelos, indo trabalhar. Surgiram clinicas de Medicina do Trabalho, empresas de RH e até guarda de transito para organizar o fluxo intenso de carros.
E eu lá!
Meus projetos pessoais e profissionais cresceram com a imensidão do projeto da refinaria. Sou vendedor de máquinas e equipamentos pesados e aquele era o lugar ideal para ganhar dinheiro. Afinal, conforme a propaganda dizia, a prioridade era para os pratas da casa.
E continuei... semana a semana, mês a mês, sem ter um resultado positivo. O momento de se vender máquinas é no inicio da obra quando se dão os trabalhos de desmatamento e terraplenagem. As obras iniciaram e cada vez ia em Bacabeira via um número cada vez maior de máquinas trabalhando e sempre mais. As cobranças por resultados só aumentavam e eu não conseguia um só negócio. Fui conversar com os empreiteiros e locadores de São Luis e cidades vizinhas e descobri que eles também não tinham negócios na refinaria. O consórcio que administrava os trabalhos estava trazendo todos os equipamentos das regiões sul e sudeste com um preço 50% mais barato jogando por terra qualquer de prosperar ali.
O tempo foi passando e o ritmo diminuindo...
Aos pouco vi restaurantes fechando.
Vi hotéis e pousadas vazios.
Vi pessoas que compraram terras por um valor muito alto, desesperadas porque não conseguiam nenhum valor pela mesma terra.
Vi a Dona Raimunda que vendia café todas as manhãs e que tinha um sonho de colocar seus filhos na faculdade quebrar.
Eu... Nunca consegui vender uma máquina.

E o tempo foi passando...
E com o tempo vimos pacientemente todos os nossos sonhos se dissipando na imensidão empoeira da REFINARIA PREMIUM I.

Nesses quatro anos que se passaram eu estive lá. Como cidadão, como profissional cheio de esperanças e sonhos como todos nós. Portanto tenho todo o direito e o dever de manifesta a minha indignação com esse descaso e falta de respeito com todos nós brasileiros.
Até agora foram quatro anos e milhões e milhões de reais que foram tirados dos nossos bolsos e viraram poeira.

No último dia 2 de fevereiro de 2014 mais uma vez passei em Bacabeira e o que encontrei foi um cenário que retrata muito bem o valor que temos.










Aqui estão enterrados nosso dinheiro e muitos dos nosso sonhos de dias melhores.


Aqui certamente é mais um projeto que ficou no meio do caminho
e um empresário que um dia teve o sonho de construir um hotel.

E este é mais um ano de eleição e fico aqui mais uma vez esperando qual será o próximo circo a ser armado para que possamos, mais uma vez ficarmos nas arquibancadas, aplaudindo cada espetáculo.

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Apenas Mais Um Dia


Ivan Gomes

Fazia algum tempo que não postava. Há momentos que as idéias vêem e tudo fica fácil. No entanto, na maioria das vezes, não consigo pensar em nada original para postar e que tenha algum sentido ao menos para mim. E assim, de idas e vindas, o DIÁRIO DE UM VENDEDOR passa para o seu segundo ano.

Hoje, 2 de outubro confesso que estou com uma inspiração meio negativa. Para ser mais verdadeiro, bastante negativa e por isso mesmo procurarei explorar bem este tema.

Como título para esta postagem escolhi APENAS MAIS UM DIA.
Descobri (por acaso) na internet, isso no ano passado que aqui no Brasil o dia primeiro de outubro é o DIA DO VENDEDOR. Não sei porque é o dia do vendedor e acho que ninguém sabe! Falei entusiasmado ao meu gerente e ele apenas disse: Parabéns! Depois passei uma mensagem para todos os meus colegas vendedores falando sobre o nosso dia... e ninguém respondeu. Para completar, passado um ano, só hoje que lembrei que o DIA DO VENDEDOR foi ontem. Lembrei por acaso pois esse é APENAS MAIS UM DIA.

Atrasado mais lembrei. Ao que parece só eu lembrei!

Como é possível uma profissão tão bonita e indispensável a todos a todos nós ser tão ser desvalorizada. Sou vendedor a mais de 15 anos e a cada ano que passa vejo o quanto as empresas dependem do vendedor. Hoje todos os produtos são bons, a concorrência é enorme. Somos bombardeados de propagandas por todos os lados e no meio e no meio dessa guerra só quem pode fazer a diferença é o vendedor.

Tudo o que tenho e sou hoje agradeço à minha profissão de vendedor. Realizei muitos sonhos e contribui para que muitas pessoas também realizassem seus sonhos através da minha profissão. Mais a grande verdade é que só somos lembrados no final do mês principalmente quando não batemos metas ou quando o cliente atrasa.



Dizem por aí que o vendedor de verdade é aquele que se vira nos 30, tem 1001 utilidades, é artista, malabarista, contador de estórias e até, se dé tempo, vendedor. Mais na prática o vendedor é apenas mais um número. Assim como todo resto somos condicionados a olhar apenas numa direção.
Recentemente fui convidado a trabalhar numa grande empresa que vende produtos top. A marca conhecida mundialmente e com uma excelente estrutura de vendas. Aceitei o convite certo que lá me aposentaria. Fiquei apenas seis meses e sai com um sentimento profundo de fracasso. Coloquei naquela oportunidade todos os meus sonhos e estava certo que não precisaria de muitos esforços para realiza-los. Mais não foi isso que aconteceu. Minha frustração não foi por não ter vendido pois cheguei a bater metas. Minha maior frustração foi por não ter conseguido encantar os meus clientes. Apesar de uma ótima estrutura e de uma teoria quase perfeita, na prática não funciona. A única coisa que realmente importa são os números mesmo que eles venham sem a qualidade.



Como passo a grande parte do meu tempo viajando, sempre compro alguma coisa na estrada e levo para minha esposa. Geralmente são comidas regionais ou algo parecido. Certo dia vi uma barraquinha na estrada e percebi que estavam vendendo castanha de caju. Parei e perguntei ao vendedor quanto custava. De imediato o vendedor me mostrou três tamanhos com valores diferentes. Achei todos caros como sempre faço (neste momento me vingo dos compradores) para barganhar preço. Só que desta vez fui engolido pelo vendedor de castanhas. Quando disse que estava caro prontamente ele repondeu: 
- As minhas castanhas são um pouco mais caras porque são de culturas irrigadas e descascadas manualmente por são todas inteiras e bem crocantes.
Ele quase não termina de falar manualmente de tanto destaque que deu. Resultado, não tive o desconto e para quem ia comprar apenas um pacote, comprei cinco. Após esse dia sempre paro na mesma barraca para comprar castanhas. Todas as castanhas que estavam sendo vendidas naquele lugar tinham a mesma origem mais o vendedor fez toda a diferença.

Que tipo de vendedor queremos ser ou somos?
Se não conseguimos valorizar  a nossa profissão quanto o nosso dia.

Continuo sendo um apaixonado pelo que faço mais quero ter a liberdade de olhar para os lados. Quero ter o direito de ser ouvido e respeitado como um profissional que tem a sua importância. Quero dormir com a certeza de que amanhã não será APENAS MAIS UM DIA.

Muito obrigado e muito sucesso a todos nós. Afinal, somos todos vendedores.

Ivan Gomes.